Vamos lá!

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"Quando deixamos determinado lugar, deixamos para trás um pedaço de nós – permanecemos lá, apesar de partirmos. E há coisas em nós que só podemos recuperar se voltarmos para lá. Viajamos até perto de nós, para dentro de nós mesmos quando um ruído monótono das rodas nos transporta em direção a um lugar onde passamos uma parte de nossa vida, por mais breve que tenha sido. Assim que colocamos, pela segunda vez, o pé numa estação estranha, escutando as vozes nos alto-falantes, sentindo os cheiros inconfundíveis, não apenas chegamos ao lugar distante, mas também na distância do próprio interior, num ângulo talvez bem remoto do nosso "eu" que, quando estamos em outro lugar, permanece oculto e completamente entregue à invisibilidade.” 

(Trem noturno para Lisboa – Pascal Mecier; tradução de Kristina Michahelles – Rio de Janeiro: Record, 2009)


Pa´Cuba voy!

Eu sabia que não fizesse logo este post, ia ter gente me xingando rsrs. E acabou demorando, mas aqui está!
Cuba desperta tanta curiosidade que creio que desde Tokyo, onde estive há 2 anos, este seja o lugar mais intrigante que visitei, para mim e para muitos dos que me lêem.


Antes de ir tratei de me informar bastante no meu blog "guru", o Viaje na viagem, e com dois amigos que já haviam estado lá; eu sabia que o acesso à internet seria escasso e a idéia era pelo menos ter a questão de hospedagem e escapada para algum dos Cayos pré-resolvida. 
O visto é muito simples, fornecido por US$ 20 pela própria Copa Airlines no aeroporto, no meu caso na conexão no Panamá, para outras cias. melhor checar primeiro. A chegada e verificação em Migraciones foi igualmente "desburocratizada". 


A melhor opção foi alugar um quarto numa casa cubana através do site www.casaparticular.com, a oferta é grande e variada e além de mais barato que ficar num hotel, é muito mais autêntico. Acabei escolhendo um lugar no bairro de Vedado, eram dois apartamentos com vários quartos administrados por dona Rosa e sua mãe. Inclusive deixei combinado com elas o taxi que me levou do aeroporto até o local por 25 CUCs, que é a moeda cubana para os turistas (existe outra moeda local para os cubanos) e pasmem...cotação 1 a 1 com o Euro. $$$$
O Vedado é quase totalmente residencial e cheio de antigas mansões que foram abandonadas pelas famílias ricas que partiram para Estados Unidos quando explodiu a Revolução Cubana e seus bens foram confiscados. O fato é que você caminha pelas ruas e vê aquelas casa enormes, de traços bonitos mas decadentes em quanto à conservação, agora ocupadas por famílias mais humildes e alegres, numa paisagem urbana única.




Cheguei no fim de uma tarde meio chuvosa e me deparei logo com um fenômeno natural comum ali quando o oceano está bravo, a "penetración del mar". Estava eu lá, toda contente no Jazz Café e me avisaram que ia fechar pois a água inunda do Malecón até 1km terra adentro. Peguei um taxi e no afã de não entregar os pontos, pedi uma dica de onde ir. 
Dos Gardenias, um bar de boleros que parecia saído de um filme. Balcão, umas poucas mesas, um pequeno palco com iluminação de LED verde ou lilás, e nada mais. Naquele ambiente meio kitsch turistas sorriam quando algumas meninas vinham até suas mesas para tomar um drink e quem sabe dar-lhes alguma alegria extra mais tarde. Alguns viajantes "comuns" como eu, se misturavam a eles. Pedi meu mojito e me diverti com aquela situação que era um tanto inusitada. Aí o show começou e o lugar mostrou ao que veio: Cuba é música, e música de qualidade. Tin tin Dos Gardenias!


O dia seguinte reservei para minha incursão ao mundo maravilhoso de La Habana Vieja!!
Fui até a praça Parque Central e daí desci caminhando pela rua Obispo, e o deleite só foi crescendo.
A minha experiência foi muito parecida a New Orleans, ir caminhando e curtindo um som aqui e outro ali. Me corrijo: som não, sonzeira!
Impossível não sorrir, impossível não gostar.  O cubano é um povo extremamente musical e consequentemente alegre, apesar de todas as dificuldades notáveis na vida de fato não perderam seu frescor, e Habana vieja é o melhor lugar para vivenciar isso.


Me surpreendeu positivamente a sensação de segurança, é bem verdade que nós viajantes temos sempre uma cota de encantamento que nos deixa um pouco mais relaxados, mas de fato me senti muito mais segura caminhando por ali do que por Copacabana. Um taxista me comentou que se um cara é pego com um canivete pode ficar até 3 anos "dentro", pois o país sabe que o turismo é sua principal fonte de renda e deve cuidar muito bem dela. E dá pra notar o interesse deles em perguntar de onde somos e se estamos gostando.
A gastronomia é bastante limitada, em 1 semana não comi absolutamente nada delicioso. Os bifes de carne suína ou de vaca levam apenas sal e pimenta, o arroz costuma vir com um caldo ralo de 'frijoles' já misturado, longe do feijão preto como conhecemos. 'Ropa vieja' é uma carne desfiada que quebra o galho se quiser algo com um pouco mais de sabor. Mas, quem liga pra isso quando se tem os melhores mojitos?! Pelo menos por 1 semana, deu pra levar na boa rsrs

Uma visita à famosa Bodeguita del Medio é obrigatoria, o local foi frequentado pela bohemia artística e política desde os anos 40 e as paredes estão cheias de assinaturas de visitantes do mundo todo, é claro que deixei a minha :P e log depois fui visitar o Museo del Ron de Havana Club que explica, numa visitinha curta, a produção doa bebida cubana por excelência.
Sentar num dos restaurantes de Plaza Vieja também é uma grande pedida, como boa flanêur sempre busco uma mesa panóptica desde onde posso observar. E é maravilhoso o que se vê e escuta ali.
À noite a pedida foi jazz no conhecido La Zorra y el Cuervo, perto do Hotel Nacional, todo mundo sabe onde fica.


A ausência quase total da internet faz com que a dinâmica entre as pessoas seja bastante diferente do que vivemos hoje em dia, inclusive eu. Nos bairros, é comum ver vizinhos reunidos na frente das casa e prédios para jogar dominó ou simplesmente conversar. Nos restaurantes...sim, as pessoas conversam e não ficam olhando o celular! Será que a gente lembra como era viver assim? 
A sociedade está se abrindo aos poucos aos fatores externos, é comum ver grupos de pessoas reunidas na frente de hotéis para "pescar"o wifi e a enorme fila na frente dos (poucos) Centros de Telecomunicaciones é diária.

A religiosidade se nota nas ruas, sobretudo aos sábados, quando muitos se vestem de branco da cabeça aos pés. Sâo os praticantes das santerias, que deve ser algo parecido aos terreiros espíritas brasileiros, todos de origem africana.

La Habana tem o bus turistico hop on hop off que faz um percurso básico pela cidade, infelizmente eles não fornecem o mapa à bordo por isso é bom conseguir o seu antes. 
A Plaza de la Revolución, originalmente se chamava Plaza Civica, mas acabou cobrando fama com a revolução cubana nos anos 50 e a emblemática imagem de Che Guevara na fachada do Ministerio del Interior, assim como a de Camilo Cienfuegos (ambas realizadas pelo artista Enrique Ávila).
Outro ícone do lugar, e ponto mais alto da cidade, é o Monumento a Jose Martí, mas a torre já estava fechada quando passei por ali.
Jose Martí (1853-1895) é a grande figura da história cubana, pensador, escritor, republicano democrático, uma espécie de San Martin da ilha, criador do Partido Revolucionario Cubano e atuante nos movimentos pró- independência do país. Há monumentos em sua homenagem em Nova York, México, Roma, Tampa (USA), entre outros lugares.


Saindo da etapa cultural da viagem, me entreguei à vivência caribenha "pé na areia" que eu também buscava para relaxar: Cayo Largo.
A alguns cayos de Cuba dá para chegar por terra, mas a este só se chega em avião e havia comprado o bilhete aéreo da AeroGaviota previamente pela internet pela Cuba Travel.
O voo sai de um mini aeroporto na beira de uma estrada no bairro/municipio de Miramar e em si dura menos de meia hora mas...prepare-se para atrasos inevitáveis, por ser charter o horário é marcado no dia anterior por telefone mas na hora H pode variar, a logística neste sentido deixa muito a desejar. Já a praia, não deixa nada, absolutamente nada a desejar!!


É o mar mais azul que vi na vida!!
Na areia branca de La Sirena ou Paraiso você pode ter a sorte de encontrar estrelas do mar e caracóis in natura, as palmeiras completam a paisagem de sonho e dá vontade de ficar ali por muito mais tempo. Incríveeeeel!!
Passei 2 dias incríveis ali, no Meliã Sol Cayo Largo, e o all inclusive é ótimo para esquecer a carteira e só sair com um livro e a canga; as refeições não são brilhantes mas a sequência de mojitos o dia todo e champagne no bar 24h dá uma boa compensada rsrs
A equipe do hotel super simpática e cortês e ao perceber que eu viajava sozinha, é como que duplicava a atenção comigo. 


A volta foi mais conturbada, o horário previsto do voo era 14h mas foi mudado para 17h. 
Estávamos todos reunidos no saguão esperando o transfer e descobrimos que só viria às 21h! Como já havíamos feito o check out, pedi ao gerente do hotel que nos deixasse usar os vestiários do spa para mudar de roupa e seguir usando a pisicina e o bar, pedido que foi prontamente atendido, acabamos curtindo um pouco mais de piscina e o jantar.
Quando finalmente abordamos era quase meia-noite ufffff o avião tinha 24 lugares como na ida, mas era bem mais velho, por sorte a noite estava clara e tranquila e nem se mexeu no ar.
Minha maior bronca foi ter perdido o que seria minha despedida de Cuba, um show com parte do Buena Vista social club.
Acabei emendando a volta de Cayo com a volta para o Rio e foi uma das viagens mais cansativas que já fiz: Cayo Largo-Habana, espera de madrugada no aeroporto até pegar o voo Habana-Panamá, fazer a conexão e pegar Panamá-Rio, mas.....descobrir que íamos ter que fazer uma parada técnica para abastecer em Campinas (sp) antes de seguir para o Galeão, aparentemente o voo havia feito muitos desvios na sua rota original e gastado mais combustível.
Quando pude finalmente deitar na minha cama eram 4 da madrugada, mas já não sabia de que dia. Acordei achando que era sábado até que descobri que era sexta rsrs.


Mas, valeu a pena? Valeu!!
Foi uma viagem curta e com alguns imprevistos mas com um grande conteúdo de informação interessantíssima. Muito escutamos falar de Cuba, mas ir até aí e experimentar o lugar "ao vivo", é outra coisa.
E é um lugar que te deixa saudade. 

Este post não pretende estabelecer uma discussão política, Mundo à Bessa é um blog de relatos de viagem. No entanto, para uma viajante curiosa é inevitável deixar de observar. Conversei com um casal de ingleses que haviam viajado de carro pela ilha e ficaram chocados com a pobreza, e essa condição se nota também nas ruas próximas ao centro. Em sua origem, a revolução se baseou na implantação de programas assistencialistas sociais e econômicos, notadamente alfabetização e acesso a saúde universal, o país se destaca nos esportes, por exemplo. sistema de organização da sociedade comunista que substituiria o capitalismo, com o desaparecimento das classes sociais, teve que lidar com o bloqueio comercial e a impressão que dá é que algo da proposta não funcionou pois, ainda que aparentemente menor do que no Brasil, a diferença social existe. 


Para a próxima vez, se houver, Trinidad e talvez Varadero. E mais, muito mais daquele jazz latino maravilhoso. E mais conversas com pessoas que vão cruzando o caminho e fazendo parte da jornada de conhecimento de novos lugares.
Conheci d.Rosa e sua mãe d.Petronilla, minhas anfitriãs em sua casa. Conheci Manolo, o taxista que me levou várias vezes ao centro e me falava sobre carros com uma rapidez que era um desafio à minha compreensão do sotaque cubano rsrs.
Conheci e cantei na rua com seu Argemiro, que tocava Garota de Ipanema na flauta em uma esquina, que momento mágico!
Conheci o cantor gatinho do hotel em Cayo Largo que estava doido para provar o meu "sabor a mi" rsrs, e a equipe do hotel que ficava na dúvida se eu era cubana, brasileira ou argentina rsrs.
Conheci uma família de italianos figuraça em playa Paraiso que eram pura alegria, e outra de São Paulo com mãe e filho arquitetos; conheci um casal de ingleses muito simpático que estava percorrendo o país e...gente que povo elegante né.
E conheci dois casais de argentinos que, como eu, também protestaram pelo mega atraso no voo e terminanos nos fazendo companhia durante a espera...e acharam o máximo eu falar em porteño puro! rsrs

Quem disse que eu viajo sozinha?!
Viva Cuba, adorei você!!











Bienvenidos a la Tierrita!!

Quando decidi aprender espanhol e obviamente não sabia nada, achava que era tudo a mesma coisa fosse qual fosse o país "hispano". 
Com isso, minha professora era uma brasileira de origem gallega - do verbo Galicia, Espanha - eu assistia CNÑ (eñe) e resolvi usar a música também como forma de aprendizagem. Comprei um discman (lembram disso?!) e um cd da Shakira.
Mêeeeeu, não entendia  n a d a.  Eu gosto dela, me parece super carismática e tal, mas eu saquei que quando entendesse o que a Shakira cantava estaria falando muuuuuuuito espanhol. Alguns anos se passaram, já cursei uma pós e dei aula em Buenos Aires mas agora enquanto escrevo, escutando o Unplugged de 1999 continuo sem entender rsrs.
O fato é que numa época em que as opções de idioma no Colégio eram Inglês ou Francês, apesar do resto do nosso continente falar Espanhol, minha curiosidade a respeito dos (outros) países latinoamericanos foi crescendo. 

Tive pouco tempo para ler a respeito da Colômbia no meu blog preferido - o Viaje na Viagem - antes de viajar, mas foi bacana pois o fator surpresa pôde agir um pouco mais. O propósito da minha ida era trabalho mas obviamente meus planos incluíam passeios posteriores ao job.
O voo direto a Bogotá durou 6h num Airbus Avianca igual aos que fazem a ponte aérea RJ-SP, talvez por isso a princípio parecia que eu iria logo ali mas depois foi caindo a ficha que eu cruzaria todo o Brasil, estaria acima da linha do Equador e com 3h de diferença no fuso horário (1h por conta do horário de verão brasileiro).

Bogotá, antigamente chamada Santa Fe, está a 2.600m de altitude e se sente, é a 3a capital mais alta da América do Sul, a temperatura média de 15 graus durante minha viagem era bastante agradável mas o leve cansaço ao caminhar se notava. A cidade, que tem cerca de 8 milhões de habitantes, é cosmopolita, entrar num shopping ali não é muito diferente de Miami em quanto à presença de marcas famosas de roupa e alimentação, por exemplo. A zona onde ficava meu hotel, a Parque la 93, é tipo Leblon (Rio) ou Palermo (BsAs) e perto fica a chamada zona T ou Rosa, ainda mais movimentada pelos bares e lojas.

Na sexta depois do trabalho quis logo conhecer algum lugar bacana, com música e boa comida. Todas as recomendações apontavam para o mesmo bar: Andres Carne de res DC. Gente, que lugar legal!! É uma mistura de bar, restaurante, night, com performances e todo mundo dançando entre as mesas conforme a noite avança. A decoração "felliniana"é uma atração à parte, acho que cada vez que alguém volta a ir lá deve encontrar mais um detalhe que ainda não havia visto.
Peguei uma mesa tipo panóptico desde onde eu podia observar todo o movimento...e também ser observada rsrs logo veio um dos clowns da casa me trazer uma faixa dizendo "Bienvenida a la Tierrita". A baladinhas aqui começam cedo, cheguei 20h e já estava lotado, mas foi bacana esperar no bar bem na saída dos pratos e ir só observando o que eu ia pedir depois.


Daiquiri de fresa (morango), carne lomo al vino tinto e depois um drink tipo sorbet que foi um dos mais gostosos que já provei: Limoncello se chamava, como o licor. A questão é que cada drink continha aprox. 500ml e eu estava há um tempo sem tomar álcool...então...bem, no dia seguinte depois de passar pelo pavilhão onde estava sendo montado o evento fui para o centro histórico.

Era hora de visitar a velha Bogotá e provar pratos típicos. A Plaza Bolívar é o ponto principal, com o Palacio de Justicia, Capitolio Nacional, Palacio Arzobispal e a Alcadía em seu perímetro. Ali, naturalmente encontramos o lado mais pitoresco da capital, com edificações que remetem à época em que a praça ainda era um mercado e plaza de toros. Posturas políticas à parte, Simón Bolivar foi a grande figura na formação do continente Latinoamericano e da libertação contra os espanhóis, tendo sido Presidente da Venezuela, fundou a Gran Colombia e Bolivia, além de ter atuado também no Peru e Equador, entre outros feitos.
Convém dar uma passadinha no posto de info turística e percorrer as imediações com a guia que relata algumas curiosidades históricas in situ; eles não cobram nada por isso mas a gorjeta é mais que merecida. 



Parte dos museus a visitar também é grátis, como o Museu Botero (que se interliga com a Casa da Moeda e outro museu de Arte Moderna) e o Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez, uma das maravilhosas obras em tijolo à vista do Arquiteto Rogelio Salmona.

Aliás, o tijolo é um elemento que merece um parénteses, afinal a Arquitetura não é só para Arquitetos. O tijolinho aparente está presente em grande parte das edificações da cidade, sejam institucionais ou residenciais, e com grande qualidade em volumetrias que melhoram a vivência do espaço urbano. 


Ajiaco, guarde este nome. Eu havia ido ao centro também para provar o melhor da gastronomia local, lembram? Esse ensopado cremoso de batatas com frango e um toque de creme de leite é  d e l i c i o s o. Batata é coisa séria na Colômbia, assim como no Peru, há diversos tipos e cores e muito mais saborosas do que as que conhecemos. 

A essa altura eu já estava repetindo algumas expressões locais: "un momentico" (1 minutinho), "que pena" (desculpe, sinto muito) rsrs 
No domingo, a melhor pedida sem dúvida foi passar a manhã no bairro de Usaquén e aproveitar o mercado de rua, com artesanato, comidas e música popular.



A grande oferta de cultura e a presença das principais universidades na cidade não é à toa. O habitante de Bogotá é, em geral, muito educado. A cidade é limpa. Sim, existe a periferia como a conhecemos, claro...mas se compararmos por exemplo a organização urbana e a segurança de Ipanema com Parque la 93, ganham eles.
Inclusive em algumas atividades notei mais qualidade de execução do que no Brasil, por exemplo passei por um canteiro de obras cujo "escritório" estava montado em estrutura metálica super caprichada e estável, quando muitas vezes aqui são feitos de madeira elevados por sobre a calçada e dá até medo passar por baixo.

O grande paradoxo está em como eles se comportam no trânsito: coisa de loucoooo.
A cidade se organiza em torno a Avenidas, Calles e Carreras (ruas), e a orientação é norte-sul e oriente-ocidente. O oriente seria a cadeia montanhosa perpendicular às Calles.

Existe neles uma grande preocupação em se libertar do estigma dos anos 80 - se você assiste a série "Narcos" vai entender do que estou falando - que foi um período negro na história colombiana e contribuiu para formar uma imagem negativa do país. Da guia de turismo ao motorista de taxi, todos te falam a mesma coisa: "Que bom que vc está gostando, as pessoas deveriam saber que a Colômbia não é só aquilo que falam de tráfico de drogas, etc". E é verdade!






De Bogotá, fui passar 5 dias em Cartagena de Indias. 
Aguardem o próximo post!

foto panorâmica: Google

Cheers SF!!

If You are Going To San Francisco ♫♫
“If you are going to San Francisco
Be sure to wear some flowers in your hair
If you are going to San Francisco
You are gonna meet some gentle people there

For those who come to San Francisco
Summertime will be a love-in there
In the streets of San Francisco
Gentle people with flowers in their hair…”
…………………….
“Se Você For a São Francisco
Se você for a São Francisco
Certifique-se de colocar algumas flores em seu cabelo
Se você for a São Francisco
Você vai conhecer pessoas gentis lá

Para aqueles que vão a São Francisco
O verão será um amor lá
Nas ruas de São Francisco
Pessoas gentis com flores em seus cabelos...”

Após ter visitado Miami, New Orleans, Chicago, New York e Las Vegas, eu tinha ainda 1 semana livre antes de retornar ao Brasil e fiz uma pesquisa rápida entre meus amigos para saber: qual cidade você visitaria em seguida? Ganhou a que eu já havia imaginado: San Francisco. Com isso, minha pequena-grande “American Adventure” estaria completa, dentro do que se propôs ser,  e os demais destinos ficariam para uma próxima viagem.
Como eu sempre entro com tudo no clima de cada lugar , “California Dreaming” soava no meu pensamento. O voo ligaria a costa este à oeste atravessando 5 faixas de fuso horário em relação ao Brasil (4 + horário de verão) e fazia escala em Phoenix, Arizona. Então, lá fui eu!
Foi um voo quase “sísmico” de como sacudiuuu rsrs, mas quando o avião começou a descer e saiu das nuvens a 1ª visão do Pacífico americano fez eu esquecer todas as chacoalhadas. A costa da Califórnia verde e azul era um convite perfeito para os próximos dias.

O californiano é o 2º povo mais “friendly” que conheci nos EUA (em 1º imbatível são os neworleanos), solícitos e sorridentes, transmitem uma sensação de relax que é uma simpatia. Talvez ajude o fato de que SF não é uma cidade muito grande; apesar de toda a diversidade de bairros, centro, edifícios, restaurantes, museus, centros de dança e música, pude percorrer grande parte da zona urbana a pé e no lendário cable car. É como uma mini-metrópole, com toda a oferta de equipamentos urbanos e de serviços que se necessitam, porém sem grandes extensões nem densidades caóticas...seria essa a escala ideal de cidade?
Como “voltei no tempo”, era de novo de manhã e fui caminhar; meu hotel – Country Heart Inn – ficava na Lombard st. a oeste, próximo ao parque de Presidio, que estava meio zoneado por causa de obras, então fui bordeando até chegar à Marina e de lá poder observar a Golden Gate Bridge, construída nos anos 30 e considerada uma maravilha da Engenharia moderna. A 1ª referência que me veio à mente foi o filme obra-prima “Um corpo que cai” , a cena onde os protagonistas cruzam a ponte.
De lá alcancei o Fisherman’s Wharf, a principal zona turística, com diversos bares, lojas e restaurantes e onde uma infinidade de barraquinhas oferece “crab” (caranguejo). Delícia gente! Ali é pra onde todo mundo vai à tardinha até o Pier 39 para passear, comer, beber, ver os leões marinhos na sua preguiça habitual;  há músicos de rua, agentes de turismo oferecendo passeios e opa!...bora provar uns vinhos californianos? Ok, hoje e amanhã há previsão de nubosidade, deixemos o tour vinícola pra daqui a 2 dias quando deve sair o sol.

Ali na área do Fisherman’s fica também a estação do cable car, o tradicional bondinho de SF. O que a cidade não tem de densa, tem de íngreme. Haja ladeiraaa!! Foi bacana pegar o cable e subir até o centro, fazendo uma paradinha no caminho para ver a rua mais sinuosa do mundo “crooked st.” que nada mais é do que um trecho na parte leste da Lombard st. que, para evitar degraus, tem um traçado em zig-zag acentuado.

No centro, passando a Union Square e descendo na Powell Station, o clima muda um pouco, as ruas são mais obsuras e a frequência se torna mais duvidosa. Caminhei um pouco pela Market st. até a área do Centro Cívico e vale a pena dar uma entradinha no edifício da Prefeitura “City Hall” para apreciar a bela cúpula central.

A Arquitetura típica de SF, aquelas casinhas lindinhas e pintorescas, são um charme total!! Grande parte delas fui encontrar no bairro da Alamo Square, cada uma com detalhes próprios e cores que dão um toque especial.  A princípio achei as ruas em geral, pouco arborizadas. Em contrapartida, há várias praças como a Alamo e um dos maiores parques urbanos do mundo – até mesmo maior que o Central Park – o Golden Gate Park. Entrei toda faceira naquela “ah, vou passear no parque” até me dar conta que no mapa ele estava fora de escala e na realidade é  g-i-g-a-n-t-e.  Achei óootima a idéia de comer um burger caprichado no caminho de volta pro hotel  : P  uff!! À noite peguei leve e fui jantar na Chestnut st., afinal de contas o dia seguinte iria começar cedinho.

Às 8h da manhã chegou a van com destino a Napa & Sonoma Valley.
Às 10.30h eu já estava na 4ª ou 5ª taça de tinto em meio a um campo que lembrava a Toscana...na verdade todo o grupo que havia iniciado o passeio meio cada um na sua, agora participava ativamente falando mais alto e tirando os casacos. Eu só pensava “acho melhor almoçarmos logo” rsrs. Por sorte, ou maquiavelicamente calculado pelo guia, seguimos até a simpática Yountville onde nos sentamos a comer.
...O vinho une as pessoas né gente. E entre zinfadels, pinots e cabernets, o brinde veio naturalmente: cheers San Franciscooooo!!

Foi um dia perfeito. Os vinhos californianos não são famosos à toa, são muito bons.  Na ida, de cara havíamos cruzado a Golden Gate Bridge, o que nos brindou uma vista panorâmica de SF. Em Napa visitamos várias adegas, o sol saiu como previsto e melhorava ainda mais tudo. Imaginem como foi a volta nessa van...todo mundo dormindo! Kkkkkk
E como meu lema é “100% de aproveitamento” só passei no hotel para um banho relaxante e segui firme para mais um deleite gastronômico: a Clam chowder, uma sopa creme feita de mariscos, batata, cebola e aipo, servida dentro do chamado Sourdough bread, herança francesa. Hmmm!! Recomendo.


O outro passeio que fiz, este por conta própria, foi pegar um barco para Sausalito. Dá para chegar por terra até mesmo em bike, mas eu queria navegar na Baía de San Francisco. Valeu a pena, a caminhada até o Porto é agradável, apesar do frio o passeio é bem bonito, dá pra ver Alcatraz e as pontes, e Sausalito é uma cidadezinha pintoresca a 40min de barco - quase uma vila – quem mora ali trabalha no comércio local ou em SF. Um lugar pra ficar sentada na mureta escutando o mar e tomando um sorvete. Só me senti ameaçada por umas gaivotas que senti que queriam roubar a casquinha...

The  Mission é o bairro latino famoso pela street Art dos grafites nos muros e prédios. Abundan as taquerias e lojas descoladas, é o típico bairro moderninho-cult. Caminhando de lá para Cow Hollow-Union st. , uma paradinha para um café aqui, umas vitrines ali, acabei entrando em algumas lojas e claro, batendo papo com os vendedores. Uma participava de um grupo de percussão tipo batucada brasileira e inclusive desfilavam pelas ruas no que eles chamam de “Carnival”, e outro na Apple Store estava com viagem marcada para Morro de São Paulo,  Bahia. Como é legal conversar com as pessoas por esse mundão afora e descobrir coisas em comum! Até esqueci da Octagon House, que ficava no caminho pro hotel, da qual acabei vendo só o lado de fora. A casa octagonal já estava fechada para visitas, mas a casa de chocolates Ghirardelli estava aberta e me recompensou com suas gostosuras.

A saideira foi caprichada, com um mini tour pela noite: The Bullrit, The Red Room e mais um brinde a esse lugar que me recebeu tão bem.

A Califórnia me deixou com vontade de mais, nem digo Los Angeles mas talvez San Diego. Alegre, divertida, colorida. Se você for lá, tire a gravata, afrouxe o cinto e.....relaxeee!