Pa´Cuba voy!

Eu sabia que não fizesse logo este post, ia ter gente me xingando rsrs. E acabou demorando, mas aqui está!
Cuba desperta tanta curiosidade que creio que desde Tokyo, onde estive há 2 anos, este seja o lugar mais intrigante que visitei, para mim e para muitos dos que me lêem.


Antes de ir tratei de me informar bastante no meu blog "guru", o Viaje na viagem, e com dois amigos que já haviam estado lá; eu sabia que o acesso à internet seria escasso e a idéia era pelo menos ter a questão de hospedagem e escapada para algum dos Cayos pré-resolvida. 
O visto é muito simples, fornecido por US$ 20 pela própria Copa Airlines no aeroporto, no meu caso na conexão no Panamá, para outras cias. melhor checar primeiro. A chegada e verificação em Migraciones foi igualmente "desburocratizada". 


A melhor opção foi alugar um quarto numa casa cubana através do site www.casaparticular.com, a oferta é grande e variada e além de mais barato que ficar num hotel, é muito mais autêntico. Acabei escolhendo um lugar no bairro de Vedado, eram dois apartamentos com vários quartos administrados por dona Rosa e sua mãe. Inclusive deixei combinado com elas o taxi que me levou do aeroporto até o local por 25 CUCs, que é a moeda cubana para os turistas (existe outra moeda local para os cubanos) e pasmem...cotação 1 a 1 com o Euro. $$$$
O Vedado é quase totalmente residencial e cheio de antigas mansões que foram abandonadas pelas famílias ricas que partiram para Estados Unidos quando explodiu a Revolução Cubana e seus bens foram confiscados. O fato é que você caminha pelas ruas e vê aquelas casa enormes, de traços bonitos mas decadentes em quanto à conservação, agora ocupadas por famílias mais humildes e alegres, numa paisagem urbana única.




Cheguei no fim de uma tarde meio chuvosa e me deparei logo com um fenômeno natural comum ali quando o oceano está bravo, a "penetración del mar". Estava eu lá, toda contente no Jazz Café e me avisaram que ia fechar pois a água inunda do Malecón até 1km terra adentro. Peguei um taxi e no afã de não entregar os pontos, pedi uma dica de onde ir. 
Dos Gardenias, um bar de boleros que parecia saído de um filme. Balcão, umas poucas mesas, um pequeno palco com iluminação de LED verde ou lilás, e nada mais. Naquele ambiente meio kitsch turistas sorriam quando algumas meninas vinham até suas mesas para tomar um drink e quem sabe dar-lhes alguma alegria extra mais tarde. Alguns viajantes "comuns" como eu, se misturavam a eles. Pedi meu mojito e me diverti com aquela situação que era um tanto inusitada. Aí o show começou e o lugar mostrou ao que veio: Cuba é música, e música de qualidade. Tin tin Dos Gardenias!


O dia seguinte reservei para minha incursão ao mundo maravilhoso de La Habana Vieja!!
Fui até a praça Parque Central e daí desci caminhando pela rua Obispo, e o deleite só foi crescendo.
A minha experiência foi muito parecida a New Orleans, ir caminhando e curtindo um som aqui e outro ali. Me corrijo: som não, sonzeira!
Impossível não sorrir, impossível não gostar.  O cubano é um povo extremamente musical e consequentemente alegre, apesar de todas as dificuldades notáveis na vida de fato não perderam seu frescor, e Habana vieja é o melhor lugar para vivenciar isso.


Me surpreendeu positivamente a sensação de segurança, é bem verdade que nós viajantes temos sempre uma cota de encantamento que nos deixa um pouco mais relaxados, mas de fato me senti muito mais segura caminhando por ali do que por Copacabana. Um taxista me comentou que se um cara é pego com um canivete pode ficar até 3 anos "dentro", pois o país sabe que o turismo é sua principal fonte de renda e deve cuidar muito bem dela. E dá pra notar o interesse deles em perguntar de onde somos e se estamos gostando.
A gastronomia é bastante limitada, em 1 semana não comi absolutamente nada delicioso. Os bifes de carne suína ou de vaca levam apenas sal e pimenta, o arroz costuma vir com um caldo ralo de 'frijoles' já misturado, longe do feijão preto como conhecemos. 'Ropa vieja' é uma carne desfiada que quebra o galho se quiser algo com um pouco mais de sabor. Mas, quem liga pra isso quando se tem os melhores mojitos?! Pelo menos por 1 semana, deu pra levar na boa rsrs

Uma visita à famosa Bodeguita del Medio é obrigatoria, o local foi frequentado pela bohemia artística e política desde os anos 40 e as paredes estão cheias de assinaturas de visitantes do mundo todo, é claro que deixei a minha :P e log depois fui visitar o Museo del Ron de Havana Club que explica, numa visitinha curta, a produção doa bebida cubana por excelência.
Sentar num dos restaurantes de Plaza Vieja também é uma grande pedida, como boa flanêur sempre busco uma mesa panóptica desde onde posso observar. E é maravilhoso o que se vê e escuta ali.
À noite a pedida foi jazz no conhecido La Zorra y el Cuervo, perto do Hotel Nacional, todo mundo sabe onde fica.


A ausência quase total da internet faz com que a dinâmica entre as pessoas seja bastante diferente do que vivemos hoje em dia, inclusive eu. Nos bairros, é comum ver vizinhos reunidos na frente das casa e prédios para jogar dominó ou simplesmente conversar. Nos restaurantes...sim, as pessoas conversam e não ficam olhando o celular! Será que a gente lembra como era viver assim? 
A sociedade está se abrindo aos poucos aos fatores externos, é comum ver grupos de pessoas reunidas na frente de hotéis para "pescar"o wifi e a enorme fila na frente dos (poucos) Centros de Telecomunicaciones é diária.

A religiosidade se nota nas ruas, sobretudo aos sábados, quando muitos se vestem de branco da cabeça aos pés. Sâo os praticantes das santerias, que deve ser algo parecido aos terreiros espíritas brasileiros, todos de origem africana.

La Habana tem o bus turistico hop on hop off que faz um percurso básico pela cidade, infelizmente eles não fornecem o mapa à bordo por isso é bom conseguir o seu antes. 
A Plaza de la Revolución, originalmente se chamava Plaza Civica, mas acabou cobrando fama com a revolução cubana nos anos 50 e a emblemática imagem de Che Guevara na fachada do Ministerio del Interior, assim como a de Camilo Cienfuegos (ambas realizadas pelo artista Enrique Ávila).
Outro ícone do lugar, e ponto mais alto da cidade, é o Monumento a Jose Martí, mas a torre já estava fechada quando passei por ali.
Jose Martí (1853-1895) é a grande figura da história cubana, pensador, escritor, republicano democrático, uma espécie de San Martin da ilha, criador do Partido Revolucionario Cubano e atuante nos movimentos pró- independência do país. Há monumentos em sua homenagem em Nova York, México, Roma, Tampa (USA), entre outros lugares.


Saindo da etapa cultural da viagem, me entreguei à vivência caribenha "pé na areia" que eu também buscava para relaxar: Cayo Largo.
A alguns cayos de Cuba dá para chegar por terra, mas a este só se chega em avião e havia comprado o bilhete aéreo da AeroGaviota previamente pela internet pela Cuba Travel.
O voo sai de um mini aeroporto na beira de uma estrada no bairro/municipio de Miramar e em si dura menos de meia hora mas...prepare-se para atrasos inevitáveis, por ser charter o horário é marcado no dia anterior por telefone mas na hora H pode variar, a logística neste sentido deixa muito a desejar. Já a praia, não deixa nada, absolutamente nada a desejar!!


É o mar mais azul que vi na vida!!
Na areia branca de La Sirena ou Paraiso você pode ter a sorte de encontrar estrelas do mar e caracóis in natura, as palmeiras completam a paisagem de sonho e dá vontade de ficar ali por muito mais tempo. Incríveeeeel!!
Passei 2 dias incríveis ali, no Meliã Sol Cayo Largo, e o all inclusive é ótimo para esquecer a carteira e só sair com um livro e a canga; as refeições não são brilhantes mas a sequência de mojitos o dia todo e champagne no bar 24h dá uma boa compensada rsrs
A equipe do hotel super simpática e cortês e ao perceber que eu viajava sozinha, é como que duplicava a atenção comigo. 


A volta foi mais conturbada, o horário previsto do voo era 14h mas foi mudado para 17h. 
Estávamos todos reunidos no saguão esperando o transfer e descobrimos que só viria às 21h! Como já havíamos feito o check out, pedi ao gerente do hotel que nos deixasse usar os vestiários do spa para mudar de roupa e seguir usando a pisicina e o bar, pedido que foi prontamente atendido, acabamos curtindo um pouco mais de piscina e o jantar.
Quando finalmente abordamos era quase meia-noite ufffff o avião tinha 24 lugares como na ida, mas era bem mais velho, por sorte a noite estava clara e tranquila e nem se mexeu no ar.
Minha maior bronca foi ter perdido o que seria minha despedida de Cuba, um show com parte do Buena Vista social club.
Acabei emendando a volta de Cayo com a volta para o Rio e foi uma das viagens mais cansativas que já fiz: Cayo Largo-Habana, espera de madrugada no aeroporto até pegar o voo Habana-Panamá, fazer a conexão e pegar Panamá-Rio, mas.....descobrir que íamos ter que fazer uma parada técnica para abastecer em Campinas (sp) antes de seguir para o Galeão, aparentemente o voo havia feito muitos desvios na sua rota original e gastado mais combustível.
Quando pude finalmente deitar na minha cama eram 4 da madrugada, mas já não sabia de que dia. Acordei achando que era sábado até que descobri que era sexta rsrs.


Mas, valeu a pena? Valeu!!
Foi uma viagem curta e com alguns imprevistos mas com um grande conteúdo de informação interessantíssima. Muito escutamos falar de Cuba, mas ir até aí e experimentar o lugar "ao vivo", é outra coisa.
E é um lugar que te deixa saudade. 

Este post não pretende estabelecer uma discussão política, Mundo à Bessa é um blog de relatos de viagem. No entanto, para uma viajante curiosa é inevitável deixar de observar. Conversei com um casal de ingleses que haviam viajado de carro pela ilha e ficaram chocados com a pobreza, e essa condição se nota também nas ruas próximas ao centro. Em sua origem, a revolução se baseou na implantação de programas assistencialistas sociais e econômicos, notadamente alfabetização e acesso a saúde universal, o país se destaca nos esportes, por exemplo. sistema de organização da sociedade comunista que substituiria o capitalismo, com o desaparecimento das classes sociais, teve que lidar com o bloqueio comercial e a impressão que dá é que algo da proposta não funcionou pois, ainda que aparentemente menor do que no Brasil, a diferença social existe. 


Para a próxima vez, se houver, Trinidad e talvez Varadero. E mais, muito mais daquele jazz latino maravilhoso. E mais conversas com pessoas que vão cruzando o caminho e fazendo parte da jornada de conhecimento de novos lugares.
Conheci d.Rosa e sua mãe d.Petronilla, minhas anfitriãs em sua casa. Conheci Manolo, o taxista que me levou várias vezes ao centro e me falava sobre carros com uma rapidez que era um desafio à minha compreensão do sotaque cubano rsrs.
Conheci e cantei na rua com seu Argemiro, que tocava Garota de Ipanema na flauta em uma esquina, que momento mágico!
Conheci o cantor gatinho do hotel em Cayo Largo que estava doido para provar o meu "sabor a mi" rsrs, e a equipe do hotel que ficava na dúvida se eu era cubana, brasileira ou argentina rsrs.
Conheci uma família de italianos figuraça em playa Paraiso que eram pura alegria, e outra de São Paulo com mãe e filho arquitetos; conheci um casal de ingleses muito simpático que estava percorrendo o país e...gente que povo elegante né.
E conheci dois casais de argentinos que, como eu, também protestaram pelo mega atraso no voo e terminanos nos fazendo companhia durante a espera...e acharam o máximo eu falar em porteño puro! rsrs

Quem disse que eu viajo sozinha?!
Viva Cuba, adorei você!!











6 comentarios:

  1. Muito legal seu entusiasmo com a viagem e tirando proveito até das adversidades, vontade de voar para lá!! Adorei o post! Um beio

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  2. Oi! Parabéns pelo relato!

    Também sou do Rio e viajo para Cuba no final de maio, com uma amiga. Dúvida: você ficou quantos dias em Havana? Estamos pensando em ficar 5 noites lá e outras 5 em outras cidades. O meu interesse, particularmente, é mais sócio-cultural-musical, por assim dizer, rs.

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    1. Eu havia enviado uma resposta, se apagou?! Como foi a viagem? bjos,

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  3. Boa noite,estou me organizando para viajar a Cuba no fim deste ano início do próximo. Gostaria de saber quanto aproximadamente você gastou com táxi e hospedagem,vi que você ficou vedado logo deve ter utilizado com frequência taxi. Obrigada

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  4. Olá Micheli!! Havia visto o preview da sua msg e depois não aparecia! Mas vamos lá: o custo da hospedagem foi de 25 CUCs por noite (a moeda lá vale como o Euro). Creio que pode variar até 30 CUCs aproximadamente.
    Fiquei no Vedado pois achei super interessante me hospedar na casa de uma família cubana, mesmo que isso funcione como uma espécie de hostel, ou seja, eles alugam vários quartos da mesma casa ou apartamento e a gente acaba tendo contato com outros viajantes também.
    O taxi até Havana vieja custava aprox 8 a 10 cucs.

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